Nas Trilhas da Memória

Caminhos

Os caminhos foram abertos pelos homens, rompendo barreiras para chegar a descobertas, construindo lugares. As trilhas, como veias, alimentam as descobertas e vão brincando com o imaginário das árvores, dos rios, das terras, dos bichos e das gentes.

Os caminhos nem sempre são fáceis e por isso exigem que a ousadia e a coragem estejam presentes nas ações e nos sonhos dos homens.

 

Florentino Menezes (1884-1959) – Tela de Arthur Sant´Ana (Coleção IHGSE)

Pois bem, no Aracaju de 1912, um grupo de intelectuais, liderado por Florentino Teles de Menezes, resolveu fazer uma reunião no dia 6 de  agosto para construir um caminho.

 

 

 

 

 

 

A reunião não podia ser em um lugar melhor: o TRIBUNAL DE RELAÇÃO. Dos 40 convidados, compareceram 22, para dar início à caminhada. O objetivo era a criação do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SERGIPE, para que pudesse se tornar o guardião da História e dos bens culturais do Estado.

Tribunal da Relação (atual Memorial do Judiciário) – Aracaju

Como o Tribunal da Relação deu apoio à iniciativa, não é de estranhar que os primeiros sócios da instituição fossem, na sua maioria, desembargadores, juízes, promotores e bacharéis em Direito, uma vez que estes pela sua formação possuíam um conhecimento cultural digno de registro para descobrir as várias trilhas que levavam a uma identidade sergipana.

E assim foi que um mês depois já tomava posse a primeira diretoria:

  • Presidente de Honra – General José Siqueira de Menezes (Presidente do Estado)
  • Presidente – João da Silva Melo
  • Vice-Presidente – Dionísio Teles de Menezes
  • Primeiro Secretário – Alcebíades Correia Paz
  • Segundo Secretário – Álvaro Telles de Menezes
  • Orador – Sílvio da Mota Rabello
  • Tesoureiro – Evangelino José de Faro

Vale destacar que Aracaju em 1912, mesmo sendo capital, não possuía elementos urbanos como água encanada de boa qualidade, sistema de esgotos e iluminação pública. Esta se fazia romanticamente com a luz mortiça dos lampiões. Então, falar de memória, de registro cultural, de História e sua documentação era na verdade uma extrema ousadia. Mas entre os 22, que atenderam ao chamado de Florentino Menezes, estavam os mais comprometidos com a memória da instituição que ganhou até um nome afetivo CASA DE SERGIPE. Embalados pelo pensamento da Escola do Recife, o grupo começou a promover estudos sobre a História e a Geografia de Sergipe, tomando conhecimento dos avanços das diversas correntes filosóficas, e registrando o pensamento científico dos seus fundadores e dos que vieram depois, alimentando o mesmo sonho e compromisso.

Construía-se com o IHGSE um caminho que nunca mais pode deixar de ser trilhado. A CASA, assim pensada, não era do município, nem do governo do Estado e muito menos do governo federal. Era de todos, de todos os sergipanos. Uma associação sem fins lucrativos que, como uma casa, recebe filhos das suas diversas trilhas: os que pesquisam, os que estão em busca do conhecimento, que o estudo da memória oferece, os que fazem dos documentos a salvaguarda da nossa História.

É claro que assim pensado, o IHGSE teve seus momentos de crescimento, mas também os de reveses o que não diminuiu sua importância na História Cultural do Estado, como um marco em defesa da memória e que pela seriedade com que, enfrentando o tempo, resiste.

Fundado a 6 de agosto pela coragem de Florentino Menezes,  João da Silva Melo. Manuel dos Passos Oliveira Teles, João Maynard, Manuel Armindo Guaraná, Antônio Teixeira Fontes, Alexandre Lobão, Alfredo Cabral, Evangelino José de Faro, Francisco Carneiro Nobre de Lacerda, João Antônio de Oliveira, Joaquim do Prado Sampaio Leite, Virgílio Santana, Alcebíades Correia Paes, Álvaro Teles de Menezes, Elias Rosário Montalvão, Gentil Tavares da Mota, José Correia Paes, Pedro Sotero Machado, Zacarias Correia Paes e Francisco Fernandes Martins.